Emmanuel

Por volta de 79 a.C. viveu Públio Lentulus Sura, um cônsul, um homem de muito poder e impiedoso. Sura foi contemporâneo de Caio Júlio César, Marco Túlio Cícero, além de aliado político do temível Sérgio Lúcius Catilina. A personalidade do cônsul aparece claramente como a de um homem que se acreditava destinado a governar Roma e que o teria feito se tivesse sido vitorioso na famosa rebelião que participou como figura exponencial.

Enganado por uma profecia sobre três Cornelius governando Roma, imaginou-se como sucessor de seus parentes distantes. Um pouco mais tarde, Tertuliano o condenou a morte, estrangulado, em 5 de dezembro do ano de 63 a.C.

Depois de se passarem aproximadamente 94 anos reencarna como senador do Império Romano, agora como Públio Lentulus Cornelius, bisneto de Públio Lentulus Sura, sua reencarnação anterior. Públio Lentulus era um homem orgulhoso, mas nobre. Casou-se com uma excepcional mulher, Lívia, que ele tanto amou, mas que também, trouxe-lhe grande revolta e sofrimento por haver abraçado o Cristianismo. Tinham dois filhos, Flávia Lentúlia e Marcus. Sua filha fora atacada pelo mal da lepra, Hoje conhecido como hanseníase. Como Flávia estava muito doente, Públio Lentulus recebeu do Imperador Tibério a designação para alto cargo público na Palestina, onde havia um clima muito mais ameno para que a menina pudesse de alguma forma se restabelecer.

Foi desta forma que ele teve a grande oportunidade de encontrar Jesus. Sua esposa Lívia, que já houvera ouvido falar do Nazareno, implorou-lhe que pudesse procurar o profeta na esperança de uma cura definitiva para a pequenina, visto o grande número de comentários do povo naquela época sobre as curas operadas por Jesus. O senador aquiesceu ao pedido da esposa amada, dizendo-lhe, porém, que iria à procura do Messias, mas que não chegaria ao cúmulo de abordá-lo pessoalmente.

Na cidade de Cafarnaum, na Galiléia,quando as horas mais movimentadas do dia se escoram e o crepúsculo começou a se fazer visível,o senador então se colocou a caminho indo em direção a um lago da cidade. Depois de mais de uma hora de expectativa, deu-se então o encontro de Públio Lentulus com Jesus. Diante de seus olhos ansiosos, estava uma personalidade inconfundível e única.

Lágrimas ardentes rolaram-lhe dos olhos, que raras vezes haviam chorado, e força misteriosa e invencível fê-lo ajoelhar-se na relva lavada em luar. Desejou falar, mas tinha o peito sufocado e opresso. Foi quando, então, num gesto doce e de soberana bondade, o meigo Nazareno caminhou para ele, era como se aquela visão fosse a visão concretizada de um dos deuses de suas antigas crenças, e, pousando carinhosamente a destra em sua fronte, exclamou em linguagem encantadora, que Públio entendeu perfeitamente, dando-lhe inesquecível impressão de que a palavra era de espírito para espírito, de coração para coração. O senador quis falar, mas a voz estava embargada pela emoção e por profundos sentimentos. Desejou retirar-se, porém, nesse momento, notou que o Profeta de Nazaré se transfigurava de olhos fixos no céu.. Aquele lago, o Lago de Genesaré, deveria ser um santuário de Suas meditações e de Suas preces, no coração perfumado da natureza. Lágrimas copiosas Lhe lavaram o rosto, banhado, então por uma claridade branda, evidenciando a Sua beleza serena e indefinível melancolia…

Quais conseqüências desse encontro com o Divino Mestre? A cura de sua filha, Flávia. Lívia, esposa do senador, que era uma dama patrícia, torna-se cristã. E ele, que fora convidado pelo mestre a segui-lo, entre as opções que lhe foram apresentadas, de servir Deus ou a Mamon, escolheu servir a Mamon, ao mundo. Retornou às lides políticas e recusou-se a admitir ser Jesus o autor do restabelecimento da menina. No dia em que Jesus foi julgado e condenado à morte o patrício romano esteve ao lado de Pôncio Pilatos, mas nada disse ou fez em benefício do nazareno. Somente mais tarde, Públio Lentulus viera a compreender e aceitar o Evangelho de Jesus nos derradeiros tempos de sua romagem terrestre, quando regressou de Jerusalém para sua residência em Pompéia. Após anos de cegueira, ele desencarnou na polvorosa erupção do Vesúvio, em agosto do ano 79 da nossa era, entre chuvas de cinza e pedra, explosões ensurdecedoras, relâmpagos, ondas de lama, num espetáculo de horror..

No prefácio do livro “Há dois mil anos” ele escreve: ”Para mim essas recordações têm sido muito suaves, mas também muito amargas. Suaves pela rememoração das lembranças amigas, mas profundamente dolorosas, considerando meu coração empedernido, que não soube aproveitar o minuto radioso que soara no relógio da minha vida de Espírito, há dois mil anos”. Em 20 de dezembro de 1971, no canal 4, da extinta TV Tupi, no programa Pinga Fogo, Francisco Cândido Xavier confirmou que Emmanuel fora o Padre Manoel da Nóbrega, o admirável padre que antes de reencarnar, visitou em espírito o Brasil recém descoberto; contemplou as florestas, apiedou-se dos indígenas e amou a Terra de Santa Cruz. Prepara-se para a grande missão que Deus lhe reservara. Emmanuel, este é o nome de uma das mais luminosas entidades espirituais a figurais nos arraiais espiritistas. Quando citamos o nome do Mentor, nos lembramos sempre do espírito humilde, generoso, de personalidade, cujas características demonstram uma evolução intelecto-moral equilibrada. Todavia, a participação do nobre espírito junto ao Espiritismo antecede o transplante do Consolador para as plagas brasileiras, pois existe uma página de sua autoria espiritual em “o Evangelho segundo o Espiritismo”, no capítulo XI, ”Amar o próximo como a si mesmo”, no item 11, intitulada “O egoísmo”. Ele escreveu essa mensagem em Paris, em 1861.

Dentre as várias obras que Emmanuel psicografou por Chico, seria impossível deixar de citar os cinco romances produzidos nas décadas de 40 e 50: “Há dois mil anos, Cinqüenta anos depois, Ave, Cristo!,Paulo e Estevão e Renúncia,relatando alguns deles,algumas de suas experiências reencarnatórias. É considerado no meio espírita como quinto evangelista pela superior interpretação do pensamento de Jesus,analisando os sublimes textos do Evangelho nos seus livros,principalmente em:Caminho,Verdade e Vida; Pão Nosso;Vinha de Luz;Fonte Viva e Palavras de vida Eterna. Durante toda a elaboração da extensa obra mediúnica de Chico Xavier,Emmanuel deu incontestáveis e intermináveis atendimentos;nas memoráveis reuniões psicográficas de consolo,atendendo a familiares deste e do outro mundo;durante os trabalhos assistenciais de todos os matizes;nas sessões de desobsessão e assistência aos espíritos sofredores;nas apresentações públicas do médium e,sobretudo,nos episódios em que foram desferidos os mais sarcásticos ataques ao tutelado e à causa espírita. Jamais o amoroso Mentor de Chico deixou de representar a presença marcante da proteção e da Assistência Divina,atestando sua obra imbatível que frutifica e ainda muito frutificará,pois tem por alicerce a mensagem rediviva do próprio Cristo de Deus

Texto do livro
Emmanuel Responde
Psicografia de Chico Xavier e Wagner Gomes da Paixão
Ed.União Espírita Mineira

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Emmanuel,  inesquecível guia e apóstolo mediúnico, é autor de mais de uma centena de livros psicografados por Chico Xavier.

Embora Chico tenha se iniciado no Espiritismo aos 17 anos, em 7 de maio de 1927, só a partir de 1931 Emmanuel passou a guiar as suas mãos, “um viajante muito educado procurando domar um animal freado e irrequieto, afim de realizar uma longa excursão”, segundo palavras do próprio Chico Xavier.

A seguir, publicamos alguns pensamentos de Emmanuel registrados em suas edificantes e abençoadas obras.

“A cólera não resolve os problemas evolutivos e nada mais significa que um traço de recordação dos primórdios da vida humana em suas expressões mais grosseiras”.

Do livro O Consolador.

“É imprescindível vigiar a boca, porque o verbo cria, insinua, inclina, modifica, renova ou destrói, por dilatação viva de nossa personalidade”.

Do livro Vinha de Luz

“A queixa é um vício imperceptível que distrai pessoas bem-intencionadas da execução do dever justo”.

Do livro Vinha de Luz

“Quem se preocupa em transpor diversas portas, em movimento simultâneo, acaba sem atravessar porta alguma”.

Do livro Pão Nosso

” A inatividade costuma induzir-nos a falsas apreciações dos desígnios de Deus, a impaciências, a desesperações e rebeldias”.

Do livro Renúncia

” Toda modificação para melhor reclama luta, tanto quanto qualquer ascensão exige esforço “.

Do livro Vinha de Luz

” Cada homem é uma casa espiritual que deve estar, por deliberação e esforço do morador, em contínua modificação para melhor “

Do livro Vinha de Luz

” Só uma lei existe e sobreviverá aos escombros da inquietação do homem — a lei do amor, instituída por meu Pai, desde o princípio da Criação … “

Do livro Há 2000 anos

“As portas do Céu permanecem abertas. Nunca foram cerradas. Todavia, para que o homem se eleve até lá, precisa de asas de amor e sabedoria.”

Do livro Pão Nosso

“O Determinismo do amor e do bem é a lei de todo o Universo e a alma humana emerge de todas as catástrofes em busca de uma vida melhor.”

Do livro A Caminho da Luz

 Devagar, mas sempre.”

Do livro Fonte Viva

“Toda crise é fonte sublime de espírito renovador para os que sabem ter esperança.”

Do livro Vinha de Luz

 

” O dinheiro é sempre bom quando com ele podemos adquirir a simpatia ou a misericórdia dos homens”.

Do livro Paulo e Estevão

“Saber não é tudo.  É necessário fazer. E para bem fazer, homem algum dispensará a calma e a serenidade, imprescindíveis ao êxito, nem desdenhará a cooperação, que é a companheira dileta do amor”.

Do livro Vinha de Luz

“Nosso corpo espiritual, em qualquer parte, refletirá a luz ou a treva, o céu ou o inferno que trazemos em nós mesmos”.

Do livro Roteiro

“O pão do corpo é uma esmola pela qual sempre receberá a justa recompensa, mas o sorriso amigo, é uma bênção para a eternidade”.

Do livro Pão Nosso

“Não creias em salvadores que não demonstrem ações que confirmem a salvação de si mesmos”.

Do livro Caminho, Verdade e Vida

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Tributo e Honra

“A quem tributo,tributo… a quem honra,honra” Paulo.

(Romanos, 13:7)

Carlos Alberto Braga Costa

Neste 2010 de tantas festividades, como as do aniversário de 50 anos de Brasília, e do Centenário de Chico Xavier, humildemente desejamos prestar um preito de carinho e gratidão ao inesquecível Apóstolo do Brasil, o Padre Manoel da Nóbrega, ao ensejo dos 440 anos de sua desencarnação.

Manoel da Nóbrega foi sem dúvida um grande evangelista do Brasil e merece tributo e honra. O Homem de Deus, na definição do historiador Serafim Leite,Manoel da Nóbregafoi uma das mais importantes encarnações do venerando Emmanuel, guia espiritual de Francisco Cândido Xavier.

Esta revelação sobre Manoel da Nóbrega, regada de humildade, fê-la o próprio Emmanuel em mensagem recebida por Chico Xavier em 12 de janeiro de 1949. O inesquecível Clóvis Tavares divulga-a no belo livro Amor e sabedoria de Emmanuel ¹, escrito com o objetivo de mostrar aos estudiosos da Doutrina Espírita o árduo e transcendente caminho de auto-iluminação percorrido por esse valoroso Espírito. Vejamo-la:

“O trabalho de cristianização do Brasil, irradiando sob novos aspectos, não é novidade para nós.

“Eu havia abandonado o corpo físico em dolorosos compromissos, no século VX, na Península, onde nos devotávamos ao “crê ou morre”, quando compreendi a grandeza do País que nos acolhe agora. Tinha meu espírito entediado de mandar e querer sem o Cristo. As experiências do dinheiro e da autoridade me haviam deixado a alma em profunda exaustão. Quinze séculos haviam decorrido sem que eu pudesse imolar-me por amor do Cordeiro Divino, como o fizera, um dia, em Roma, a companheira do coração ².

“Vi a floresta a perder-se de vista e patrimônio extenso entregue ao desperdício, exigindo o retorno à humanidade civilizada e, entendendo, as dificuldades do silvícola relegado à própria sorte, nos azares e aventuras da terra dadivosa que parecia sem fim, aceitei a sotaina, de novo e por Padre Nóbrega conheci, de perto, as angústias dos simples e as aflições dos degredados. Intentava o sacrifício pessoal para esquecer o fastígio mundano e o desencanto de mim mesmo, todavia, quis o Senhor que, desde então, o serviço americano e, muito particularmente, o serviço ao Brasil não me saísse do coração.

“A tarefa evangelizadora continua. A permuta de nomes não importa.”

Como se infere da leitura, Emmanuel, após encarnação como clérigo, em que se envolvera com a Inquisição, é levado a contemplar a “floresta a perder-se de vista” e sentir  “as dificuldades do silvícola” do nosso imenso Brasil,para aceitar novo mergulho na carne,quando receberia o nome de Manoel da Nóbrega.

Naquele período do Brasil – colônia, já com a sotaina de jesuíta,enfrentou todas as dificuldades para auxiliar na implantação do Evangelho no coração dos homens que por ali viviam,legando grande folha de serviço ao movimento de colonização das terras de Santa Cruz.

Nascido em Entre- Douro-e- Minho, Portugal, a 18 de outubro de 1517, aos tempos de Rei Dom Manuel, o venturoso, Manoel da Nóbrega estudou nas Universidades de Salamanca e Coimbra, bacharelando-se em direito canônico e filosofia na de Coimbra em 1541, sendo ordenado pela Companhia de Jesus em 1544.

Cinco anos depois recebeu o mandato que veio marcar sua trajetória espiritual. Após exaustivo preparo nas escolas lusitanas, recebeu de Dom João III a responsabilidade de seguir Tomé de Souza na direção do Novo Mundo.

Trazendo estes importantes vultos da história brasileira, as naus portuguesas atracaram no Brasil em março de 1549, para que eles, em missão administrativa, política e religiosa participassem, como marco inicial, da fundação de Salvador, na Bahia.

Considerado por Simão de Vasconcelos ³, o Primeiro Apóstolo do Brasil, o padre Manoel da Nóbrega lutou sem reservas na conversão do gentio e na pacificação dos colonizadores. O seu amor e abnegação na causa do Evangelho repercutiram uma autoridade singular, não só nas Terras de Santa Cruz, como também em países portenhos, tendo suas virtudes singrado os mares bravios na direção do velho mundo europeu.

“Bom jurista, administrador de energia e clarividência, e homem de Deus”4 Manoel da Nóbrega tornou-se conselheiro de Mem de Sá na luta contra os franceses, estimulou a conquista do interior do país, transpondo a Serra do mar, adquiriu respeito pelas constantes viagens pela costa brasileira, de São Vicente a Pernambuco. Ao lado de Estácio de Sá, participou da fundação da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, onde veio a desencarnar no dia 18 de outubro de 1570, quando completava exatos 53 anos de idade.

Vale recordar a importante presença de Paulo de Tarso na caminhada de Manoel da Nóbrega, auxiliando-o na árdua tarefa de vencer as inibições físicas, como a doença nos pulmões, a dificuldade em discursar, por ser gago, e a força mediúnica necessária para o desiderato de formar corações e mentes voltadas para o bem.

Como afirmara o Espírito Emmanuel para alguns amigos, em reunião particular na cidade de Pedro Leopoldo, o apóstolo Paulo houvera-se comprometido, no Mundo Espiritual, a auxiliar as grandes inteligências afastadas do Cristo. Por esta razão o Convertido de damasco assumiu o compromisso de acompanhar a colonização do Brasil, inspirando o padre Manoel da Nóbrega a fundar a maior cidade da América do Sul, dando a ela, como sinal de reconhecimento e devoção, o nome de São Paulo, o Amigo da Gentilidade.

A influência espiritual de Paulo de tarso sobre Manoel da Nóbrega é ressaltada por Chico Xavier no discurso que reproduzimos parcialmente, pronunciado na solenidade em que recebeu o título de cidadão paulistano no Ginásio Municipal do Pacaembu, São Paulo, em 30 de agosto de 1972.

(…) “Queridos amigos de São Paulo, de início, desejo fixar a minha imensa gratidão pelo acolhimento da augusta Câmara Municipal de São Paulo à nossa presença humilde, a generosidade da comunidade paulistana, comparecendo a esta solenidade e a saudação imerecida por mim (…)

“Ao ensejo, rogo-vos permissão para reportar-nos, ainda que superficialmente, aos seus fundamentos místicos: conta-se que ao celebrar a primeira missa, na manhã de 29 de agosto de 1553, no alto do Ianambussu do Sul, hoje o Pátio do Colégio, nesta Capital, o eminente padre Dr. Manoel da Nóbrega, fundador de São Paulo, considerada, hoje, a cidade mais importante do hemisfério sul do Planeta, foi visitado pelo apóstolo São Paulo que lhe apareceu nimbado de intensa luz; redivivo, o amigo da gentilidade apontou-lhe as campinas circunjacentes e lhe pediu que fundasse no planalto piratiningano uma cidade em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que estabelecesse sobre as quatro colunas básicas do Cristianismo: amor, fé, trabalho e instrução. Desde esse dia, entre Tamanduateí e o Anhangabaú, Padre Nóbrega dá-se pressa na fundação do real Colégio de Piratininga, distribui cargos e responsabilidades, entregando, ao inesquecível e nobre José de Anchieta, o magistério no setor das humanidades.

“Nóbrega, impressionado,pensa e pensa,recorda o encontro de Nosso Senhor Jesus Cristo com o mesmo apóstolo São Paulo, às portas de Damasco, e delibera inaugurar as obras do Real Colégio de Piratininga na data da conversão do apóstolo, 25 de janeiro, o que sucede a 25 de janeiro de 1554, com o estabelecimento definitivo da grande instituição.

“Lembrando, ainda, a revelação de que fora objeto, entrega o ofício da missa ao reverendo padre Manoel de Paiva; solicita de Anchieta fosse ele o acólito na grande solenidade e ele mesmo ora e espera visões novas, buscando ganhar forças para trabalhar incessantemente na grande fundação”.

Dentre as realizações do Benfeitor do Brasil, nos áureos tempos da colonização brasileira, lembramos as cartas informativas sobre o Brasil escritas na Bahia em 1549, e o Diálogo sobre a Conversão do Gentio, de 1554, o primeiro livro escrito no Brasil, consoante afirma Antonio Soares Amora em sua História da Literatura Brasileira. Obras como o Caso de Consciência sobre a Liberdade dos Índios, de 1567,Informação da Terra do Brasil de 1549, Informação das coisas da Terra eNecessidade que há para Bem Proceder Nela, de 1558, e o Tratado Contra a Antropofagia, de 1559, retratam um pouco da vida deste grande homem.

Apoiados em informações recolhidas pelo nosso querido Arnaldo Rocha junto ao médium Chico Xavier, o Benfeitor se apresentou para Chico em 1931, como nomeEmmanuel por um motivo muito justo: agradecer aos Benfeitores Espirituais pela belíssima oportunidade de trabalhar no Brasil e pelo Brasil, no século XVI, retornando no século XX para iniciar novo empreendimento com Jesus, através do Espiritismo Evangélico.

Interessante notar que, nas assinaturas, em lugar de padre Manoel, aparece a assinatura Ermano, abreviada, como se vê na assinatura “E. Manoel”.

Manoel da Nóbrega preferia a designação de ermano, como escreve o biógrafo José de Anchieta, pois os índios tinham imensa dificuldade de pronunciar o vocábulo padre, e o foco da atenção do evangelista eram estes novos “gentios”, os indígenas. No caso ,a palavra irmão aproximava-o não só pela designação,mas acima de tudo pelo coração.

Maestria e nobreza no ensino e difusão da mensagem do Consolador Prometido por Jesus, eis o Espiritismo na sua feição evangélica, a caracterizar o retorno do venerando Manoel da Nóbrega, agora na figura de Emmanuel.

1-Clóvis Tavares, Amor e Sabedoria de Emmanuel. Edit.IDE. 7ª edição 1987

2-Referência a Lívia, esposa do senador Públio Lentulus. Em Há Dois Mil Anos. FEB

3-Crônicas da Companhia de Jesus, IV, págs. 137,138.

4-Serafim Leite, S.I, “Histórias da Companhia de Jesus no Brasil. Instituto Nacional do Livro, Rio, vol.IX, pag.3.

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Emmanuel

Será substancialmente mau o princípio originário das paixões, embora esteja na natureza?

“Não; a paixão está no excesso de que se acresceu a vontade, visto que o princípio que lhe dá origem foi posto no homem para o bem, tanto que as paixões podem levá-lo à realização de grandes coisas. O abuso que delas se faz é que causa o mal”.[1]

 

“Porque amavam mais a glória dos homens do que a glória de Deus”.[2]

 

Trechos da Biografia Chico, Diálogos e Recordações.  Autor Carlos A B Costa. Memórias de Arnaldo Rocha. Edit. UEM

Apresentação de Emmanuel, feita por Clóvis Tavares:

 

(…) Alma profundamente possuída de espírito evangélico, Emmanuel tem prodigalizado, através de inúmeras formas de amparo espiritual, conforto e esclarecimento a legiões de criaturas aflitas e torturadas.

Coração generoso sabe repartir-se continuamente, na ubiqüidade do amor e da simpatia, atendendo aos sofredores que o buscam.

Polígrafo admirável, aí estão seus esplêndidos livros – mais de três dezenas – que seu filho espiritual psicografou, sobre os mais variados temas, em feliz abordagem dos mais complexos e transcendentes assuntos, num estilo diáfano e comunicativo, entre belezas de simplicidade e sentimento. (…)

A ele ainda, à sua esclarecida visão dos mais conturbadores ou silenciosos problemas humanos, é devido o atendimento a multidões de necessitados e a infindáveis fileiras de sofredores, beneficiados pela aproximação de laços afetuosos do Outro Lado da Vida, através de mensagens confortadoras e inconfundíveis de corações amigos, ou por socorros espirituais de vária espécie…

Foi esse o magnânimo e sábio Espírito que, apresentando-se com o nome de Emmanuel, apareceu numa tranqüila tarde dominical de Pedro Leopoldo, no ano de 1931, a um jovem de vinte anos – tímido, puro, sincero – para dar início visível a uma grande missão.[3]

Após breve pausa, Arnaldo retoma seu relato:

– Na época em que Clóvis trabalhava em seus livros, ele imaginava: “Ah! Se pudesse escrever sobre a linha evolutiva de Emmanuel! Seria uma beleza apontar os valores do grão sacerdote Simas, do império de Semíramis; de um sacerdote de Delfos; do cristão Basílio; ou de suas várias experiências como cardeal e no papado; na revolução francesa e em sua última romagem, novamente, sacerdote no Brasil-colônia”. Graças ao planejamento Superior, Clóvis discorreu, a partir da autorização do próprio Emmanuel, sobre Públio Lentulus Sura, Públio Lentulus Cornélio, o escravo grego Nestório, Padre Manuel da Nóbrega e Padre Damiano. Sinto um enorme peso quando o assunto é falar sobre esse nobre espírito, que soube vencer as próprias dificuldades, doando a própria vida em favor de milhões de corações. A trajetória evolutiva de Emmanuel é, sem dúvida alguma, muito bonita e profundamente marcada de muitos exemplos de soerguimento de uma alma, ante o tribunal da consciência. Há no livro Amor e Sabedoria de Emmanuel uma página ditada pelo espírito de Cnéio Lucius, no dia 03 de agosto de 1949, que abrilhanta os conceitos em torno do crescimento espiritual do nosso Benfeitor.

 

Vejamos, agora, esta mensagem, em sua íntegra, bem como a introdução de Clóvis Tavares:

 

De altíssimo valor e surpreendente beleza espiritual é a mensagem do venerando avô de Célia Lucius. Nela é traçado um confronto entre duas existências de nosso querido Emmanuel: a de Públio Lentulus, o legado de Tibério na Palestina, e a do Padre Manuel da Nóbrega, o primeiro apóstolo do Evangelho em nossa pátria. Ei-la:

O Padre Nóbrega, indiscutivelmente, nos merece a melhor atenção e carinho. Aí, na esfera da carne, é muito difícil ao educador a fundamentação de princípios para transmitir à mente infanto-juvenil as tradições respeitáveis de quantos nos prepararam o ninho coletivo, na formação da Pátria.

Quantas vezes, na minha condição de professor, fui defrontado por esses problemas torturantes dos hiatos históricos que impossibilitaram a pintura verbal dos grandes amigos da nacionalidade no pretérito distante.

Aqui, no entanto, restabelecemos o espírito de seqüência e confiando-nos às tarefas pedagógicas, libertos de muitas das convenções asfixiantes que aí nos esterilizam os melhores propósitos de ensinar com fidelidade, podemos operar verdadeira transformação em nossos métodos de serviço, ligando existências (quando é possível) de muitas personagens importantes do mundo numa só linha de evolução e realização, quanto nos é dado reunir na Terra diversas contas diferentes num fio sempre igual; devidamente entendidos, é agradável comentar o esforço de Emmanuel, na vanguarda do serviço de evangelização pelo Espiritismo, nos domínios da língua portuguesa.

Vemos agora que a obra de qualquer natureza, quando merece a aprovação das autoridades superiores, cresce com o seu fundador. Nesse sentido, é importante meditar nos pontos de contato entre a vida de Manuel da Nóbrega e a de Públio Lentulus.

Pelo amor profundo, devotado por ele à inesquecível figura de Paulo, poderá você concluir das razões que levaram o esforçado jesuíta a dar o nome do grande apóstolo à cidade que lhe mereceu especiais cuidados no lançamento, a ponto de esperar o aniversário da conversão do doutor de Tarso, em janeiro, para iniciar os primórdios da grande metrópole brasileira, colocando-a sob a proteção do amigo da gentilidade. É que também Paulo, na vida espiritual, jamais descansou. Quando o senador romano desencarnou, extremamente desiludido, em Pompéia, foi contemplado com os favores do sublime convertido. Paulo sempre se consagrou às grandes inteligências afastadas do Cristo, compreendendo-lhes as íntimas aflições e o menosprezo injusto de que se sentem objeto no mundo, ante os religiosos de todos os matizes, quase sempre especializados em regras de intolerância. Amparado pelo apóstolo dos gentios, conseguiu Públio Lentulus transitar nas avenidas escuras da carne, em existências várias, até encontrar uma posição em que pudesse servir ao Divino Mestre com o valor e com o heroísmo daquela que lhe fora companheira no início da era cristã. E assim, temos em Manuel da Nóbrega, o homem de raciocínio elevado, entregue a si mesmo em plena selva onde tudo se achava por fazer. Noutro tempo, os livros prontos e as tribunas construídas, os direitos de família preestabelecidos e o dinheiro fácil, a sociedade constituída e o pedestal do poder para brilhar. Aqui, porém, eram a improvisação necessária e o deserto, as inibições do corpo deficiente que lhe apagavam a voz de tribuno e a insolência dos selvagens recordando as feras do circo, à frente dos quais devia imolar-se, consumindo as próprias forças para doar-lhes uma vida nova… Surgiam, ainda, a devassidão e o crime, a ignorância e a audácia, os perigos e ameaças mil, que o hábil político transformado em missionário deveria vencer, exibindo não mais a toga do poder e as armas dos seus guardas pessoais, e sim o sinal da cruz, sem mais ninguém que não fosse a sua pertinácia nos compromissos assumidos.

Entretanto, superou os óbices de toda espécie, lutou, sofreu e venceu, não para estagnar-se, mas para prosseguir, séculos adentro, insculpindo com os poderes da idéia cristianizada, um povo diferente e um novo mundo dentro do mundo.

Você tem razão, emocionando-se, ante o contato revelador. Não é por acaso que isso acontece. Um trabalhador nunca opera só, na continuidade dos serviços.

Nóbrega podia ter vivido isolado no seu tempo, contudo, desde cedo agregaram-se a ele multidões de amigos, exaustos de mando, de poder e dominação, e a teia dos destinos vai convertendo em trabalho para a coletividade tudo o que era cristalização do “eu”, em luz quanto era sombra, em libertação espiritual o que era cárcere físico.

Da rocha emerge o diamante, no curso dos milênios. Também a luz divina fluirá de nós outros, um dia, quando a escória estiver abandonada no carvão, que servirá de berço a outros diamantes no curso longo e paciente das eras.

O serviço do nosso amigo está longe de acabar. “É preciso criar espírito para o gigante” – costuma dizer. O gigante é a terra em que hoje nos situamos e o espírito é a luz com que devemos continuar erguendo os padrões de fraternidade mais alta e de mais avançado serviço com Jesus, no Brasil todo.

Prossigamos, marchando à frente… Anos e dias correrão. Estejamos certos da brevidade de tudo o que se movimenta sobre a Terra, para agirmos com segurança e paciência.

Para construir é preciso lutar. E para colher é indispensável haver semeado.”[4]

 

Arnaldo continua, dizendo:

– Meu coração se enche de júbilo, apreciando as exuberantes experiências legadas por esse amigo. Recordo-me, ainda, de Manuel da Nóbrega um século à frente, conforme a narrativa no livro Renúncia. Há um pequeno trecho, nos instantes finais de sua encarnação, em que o Padre Damiano aponta uma laçada maravilhosa aos religiosos tradicionais.[5]

O ilustre Clovis, ao terminar um capítulo de seu livro, repetiu as seguintes palavras de Montaigne: “fiz um ramalhete apenas, de flores colhidas, e nada acrescentei a não ser o fio que as reúne” e, para nós, coube a tarefa árdua e gratificante de acrescentar, com carinho e gratidão a Emmanuel, mais alguns pontos. Entenda bem que falamos de gratidão, e não do mergulho no cipoal da idolatria, pois sabemos residir, ali, a queda certa.

Nosso amigo continua sua luta ascensional, sujeito aos erros, como definido por ele próprio, em sua arte de ensinar. Como a evolução não é uma linha retilínea, as possibilidades de erros existem, mesmo diante do altar das conquistas eternas. Todos podemos errar, ainda que já tenhamos alcançado determinados patamares na escala evolucional. Isso não quer dizer que estejamos regredindo, fato descartado pela própria lei da vida; mas podemos, sim, atrasar a hora vindoura da conquista.

No Evangelho de Jesus, no capítulo 12 de João, nosso Mestre, ao conversar com a multidão, ensina: “A luz ainda está convosco por um pouco de tempo; andai enquanto tendes luz, para que as trevas vos não apanhem; pois quem anda nas trevas não sabe para onde vai. Enquanto tendes luz, crede na luz, para que sejais filhos da luz”.[6]

A tendência do observador é associar, por exemplo, as quedas de Públio Lentulus ao soerguimento de Nestório; enaltecer o cristão Basílio; capitanear junto com o bandeirante do Evangelho Manuel da Nóbrega, nas florestas selvagens do Brasil colônia; falar dulçurosamente do Evangelho junto com o Padre Damiano; estudar a Codificação Espírita associada às lições do educador Emmanuel; e, por fim, sensibilizar-se na plenitude da exegese cristã, através do médium Chico Xavier. Essa não é, sem dúvida, uma trajetória vitoriosa? Para nós, que obtivemos dele mesmo, Emmanuel, a proteção para receber tão lindas lições, a revelação das intrincadas passagens pelo vale das lutas merecerá sempre uma análise criteriosa, sem a perda dos valores do sentimento.

Em 12 de janeiro de 1949, quando Emmanuel revelou para os amigos de Pedro Leopoldo a personalidade de Manuel da Nóbrega, apontou também as muitas reincidências do antigo senador Lentulus.

 

Acompanhemos, então, o relato do Arnaldo, feito pelo próprio benfeitor espiritual, conforme consta no livro Amor e Sabedoria de Emmanuel:

 

O trabalho de cristianização, irradiando sob novos aspectos, do Brasil, não é novidade para nós.

Eu havia abandonado o corpo físico em dolorosos compromissos, no século XV, na Península, onde nos devotávamos ao “crê ou morre”, quando compreendi a grandeza do País que nos acolhe agora. Tinha meu espírito entediado de mandar e querer sem o Cristo. As experiências do dinheiro e da autoridade me haviam deixado a alma em profunda exaustão. Quinze séculos haviam decorrido sem que eu pudesse imolar-me por amor do Cordeiro Divino, como o fizera, um dia, em Roma, a companheira do coração.

Vi a floresta a perder-se de vista e o patrimônio extenso entregue ao desperdício, exigindo o retorno à humanidade civilizada e, entendendo as dificuldades do silvícola relegado à própria sorte, nos azares e aventuras da terra dadivosa que parecia sem fim, aceitei a sotaina, de novo, e por Padre Nóbrega conheci, de perto, as angústias dos simples e as aflições dos degredados. Intentava o sacrifício pessoal para esquecer o fastígio mundano e o desencanto de mim mesmo, todavia, quis o Senhor que, desde então, o serviço americano e, muito particularmente, o serviço ao Brasil não me saísse do coração.

A tarefa evangelizadora continua. A permuta de nomes não importa.

Cremos no Reino Divino e pugnamos pela ordem cristã. Desde que reconheçamos a governança e a tutela do Cristo, o nome de quem ensina ou de quem faz não altera o programa. Vale, acima de tudo, a execução…”[7]

 

Relembrado o texto de Emmanuel, Arnaldo comenta:

– Ao analisarmos esse texto, depreendemos como são sutis as laçadas da evolução! Se ficamos sensibilizados com as vidas de Nestório e Basílio, por exemplo, não devemos projetar esse espírito aos altiplanos da vida espiritual. O orgulhoso patrício romano, apesar de tantos testemunhos em nome da fé, volveu muitas vezes ao solo terreno, para arregimentar novas propostas de vida em busca da perfeição. No século XVIII, depois de apresentar um perfil espiritualizado em Damiano do século XVII, esse servidor do Cristo recebe o encargo de liderar almas na França. Ao comandar um movimento partidarista, expressa o interesse pessoal e, com isso, obtém como prêmio um novo momento de testemunho: a guilhotina.

Chico nos contou que Emmanuel foi um educador por excelência, mas, mesmo assim, ainda expressou uma pequena dose de interesse pessoal. Devido à forma a que nos adequamos à vida ou pelo modo com que nos deixamos ser ludibriados pela força da lei, encontramos naturalmente as respostas de nossas próprias ações: “batei, e abri-se-vos-á”, ensinou Jesus.

Fica para meu imprevidente coração o dever de buscar sempre as conquistas da alma, tendo como modelo Jesus, o sublime exemplo de evolução. Ele é o Filho do homem, nossa esperança e o futuro. “Eu sou o caminho, a verdade, e a vida”.[8] Busquemo-Lo na simplicidade da manjedoura para encontrar o Gólgota na hora certa. Subir, itinerantes, é a missão a nós confiada, tendo sempre a certeza de que os Benfeitores Espirituais, dentre eles Emmanuel, por certo nos ajudarão a carregar a nossa cruz e vencer nossos dissabores, na expectativa de chegarmos ao Reino de Deus sob os aplausos dos inesquecíveis Samaritanos da Luz.

 

Trechos do livro Amor e Sabedoria de Emmanuel, de Clóvis Tavares, no qual encontramos uma singela exposição do autor, sobre o drama evolutivo do Venerando Benfeitor de Chico Xavier.

Mensagem íntima datada de sete de setembro de 1938:

 

Algum dia, se Deus mo permitir, falar-vos-ei do orgulhoso patrício Públio Lentulus, a fim de algo aprenderdes nas dolorosas experiências de uma alma indiferente e ingrata. Esperemos o tempo e a proteção de Jesus.[9]

***

“Iniciamos, com o amparo de Jesus, mais um despretensioso trabalho. Permita Deus que possamos levá-lo a bom termo.

Agora verificareis a extensão de minhas fraquezas no passado, sentindo-me, porém, confortado em aparecer com toda a sinceridade do meu coração, ante o plenário de vossas consciências. Orai, comigo, pedindo a Jesus para que eu possa completar esse esforço, de modo que o plenário se dilate além do vosso meio, a fim de que minha confissão seja um roteiro para todos”.

 

Meses depois:

Para mim essas recordações têm sido muito suaves, mas também muito amargas. Suaves pela rememoração das lembranças amigas, mas profundamente dolorosas, considerando meu coração empedernido, que não soube aproveitar o minuto radioso que soara no relógio da minha vida de espírito, há dois mil anos.

Permita Jesus que eu possa atingir os fins a que me propus, apresentando nesse trabalho, não uma lembrança interessante acerca de minha pobre personalidade, mas tão-somente uma experiência para os que hoje trabalham na semeadura e na seara do nosso Divino Mestre”.

 

Oração grafada a quatro de janeiro de 1939:

Jesus, Cordeiro Misericordioso do Pai de todas as graças, são passados dois mil anos e a minha pobre alma ainda revive os seus dias amargurados e tristes!…

Que são dois milênios, Senhor, no relógio da Eternidade? (…) Diante de meus pobres olhos, desenha-se a velha Roma dos meus pesares e das minhas quedas dolorosas… Sinto-me ainda envolto na miséria de minhas fraquezas e contemplo os monumentos das vaidades humanas… expressões políticas, variando nas suas características de liberdade e de força, detentores da autoridade e do poder, senhores da fortuna e da inteligência, grandezas efêmeras que perduraram apenas por um dia fugaz! … Tronos e púrpuras, mantos preciosos das honrarias terrestres, todas da falha justiça humana, parlamentos e decretos supostos irrevogáveis!… Em silêncio, Senhor, viste a confusão que se estabelecera entre os homens inquietos e, com o mesmo desvelado amor, salvaste sempre as criaturas no instante doloroso das ruínas supremas… Deste a mão misericordiosa e imaculada aos povos mais humildes e mais frágeis, confundiste a ciência mentirosa de todos os tempos, humilhaste os que se consideravam grandes e poderosos!…

Sob o teu olhar compassivo, a morte abriu suas portas de sombra e as falsas glórias do mundo foram destruídas no torvelinho das ambições, reduzindo-se todas as vaidades a um acervo de cinzas…

Ante minh’alma surgem as reminiscências das construções elegantes das colinas maravilhosas; vejo o Tigre que passa, recolhendo os detritos da grande Babilônia imperial, os aquedutos, os mármores preciosos, as termas que pareciam indestrutíveis… Vejo ainda as ruas movimentadas, onde uma plebe miserável espera as graças dos grandes senhores, as esmolas de trigo, os fragmentos de pano para resguardarem do frio a nudez da carne.

Regurgitam os circos… Há uma aristocracia do patriciado observando as provas elegantes do Campo de Marte e, em tudo, nas vias mais humildes até os palácios mais suntuosos, fala-se de César, o Augusto…

Dentro dessas recordações, eu passo, Senhor, entre farraparias e esplendores, com o meu orgulho miserável! Dos véus espessos de minhas sombras, também eu não te podia ver, no Alto, onde guardas o teu sólido de graças inesgotáveis…

(…) Bastou uma palavra tua, Senhor, para que os grandes senhores voltassem às margens do Tigre, como escravos misérrimos!… Perambulamos, assim, dentro da nossa noite, até o dia em que uma nova luz brotara em nossas consciências. Foi preciso que os séculos passassem para aprendermos as primeiras letras de tua ciência infinita, de perdão e de amor!…”

 

Acerca do Padre Damiano – no livro Renúncia:

– A moléstia incurável, Madalena, é um escoadouro bendito de nossas imperfeições. Que seria de minhalma se a moléstia do peito não me ajudasse a expungir os maus pensamentos? Quantos bens ficarei devendo à solidão e ao sofrimento? O Senhor, que mos deu lhes conhece o inestimável valor. Eu, que não chorava há muitos anos, alcancei novamente o benefício das lágrimas… Muitas vezes ensinei do púlpito, mas o leito me reservava lições muito maiores que as dos livros…[10]

O martírio de Nestório – Livro 50 Anos Depois:

“Recebendo a visita de Célia – Célia, tua vinda a este cárcere representa para nós a visita de um anjo. Não te impressione a nossa condenação, que aos olhos de Deus deve ser útil e justa. Dizia a inspiração de Paulo que a morte é o nosso último inimigo. Venceremos, pois, mais essa etapa, com Jesus e por Jesus. Apesar disso, não te esqueças de que a dádiva da vida é um bem precioso que o Céu nos confia. Para alma fervorosa, o melhor sacrifício ainda não é o da morte pelo martírio, ou pelo infamante opróbrio dos homens, mas aquele que se realiza com a vida inteira, pelo trabalho e pela abnegação sincera, suportando todas as lutas na renúncia de nós mesmos, para ganhar a vida eterna de que nos falava o Senhor em suas lições divinas!

(O martírio) Policarpo, o venerável pregador da Porta Nomentana, transportado do Esquilino para o Capitólio, a fim de reunir-se aos companheiros, traçou no ar uma cruz com a mão calosa e encarquilhada… Então, todos os irmãos de fé, em cujo número se contavam algumas mulheres, se prosternaram e, contemplando o céu romano, formoso e constelado, começaram a cantar hinos de devoção e alegria. Esperanças versificadas, que deviam subir a Jesus, traduzindo o amor e a confiança daqueles corações resignados, que viviam embevecidos nas suaves promessas do seu Reino…

Aos poucos, as vozes se elevavam, harmoniosas e argentinas, nas estrofes de hosana e de esperança! Seres espirituais, imperceptíveis, ajoelhavam-se junto dos condenados, a cujos ouvidos chegavam os ecos suaves das cítaras do invisível… (…)

Por vezes, os gritos de “cristãos às feras” e “morte aos conspiradores”, explodiam sinistramente da turba enfurecida. Ao fim da tarde, quando os últimos raios do Sol caíam sobre as colinas do Célio e do Aventino, entre as quais se ostentava o circo famoso, os vinte e dois condenados foram conduzidos ao centro da arena. Negros postes ali se erguiam, aos quais os prisioneiros foram atados com grossas cordas presas por elos de bronze.

Nestório e Ciro (pai e filho) confundiam-se naquele pequeno grupo de seres desfigurados pelos mais duros castigos corporais. Ambos estavam esqueléticos e quase irreconhecíveis. (…) Enquanto os gigantes africanos preparavam os arcos, ajustando-lhes flechas envenenadas, os mártires do Cristianismo começaram a entoar um cântico dulçoroso. Ninguém poderia definir aquelas notas saturadas de angústia e de esperança.

Debalde, as autoridades do anfiteatro mandaram intensificar o ruído dos atabaques e os sons estrídulos das flautas e alaúdes, a fim de abafar as vozes intraduzíveis do hino cristão. A harmonia daqueles versos resignados e tristes elevava-se sempre, destacando-se de todos os ruídos, na sua majestosa melancolia.

(…) As primeiras setas foram atiradas ao peito dos mártires com singular mestria, abrindo-lhes rosas de sangue que se transformavam, imediatamente, em grossos filetes de sofrimento e morte, mas o cântico prosseguia com um harpejo angustiado, que se estendia pela Terra obscura e dolorosa. Na sua melodia misturavam-se, indistintamente, a saudade e a esperança, as alegrias do céu e os desenganos do mundo, como se aquele punhado de seres desamparados fosse um bando de cotovias apunhaladas, librando-se nas atmosferas da Terra, a caminho do Paraíso…

Com o peito crivado de setas que lhe exauriam o coração, e contemplando o cadáver do filho que expirava, antes dele, dada a sua fraqueza orgânica, Nestório sentiu que um turbilhão de lembranças indefiníveis lhe afloravam ao pensamento já vacilante, confuso, nas vascas da agonia. Com os olhos sem brilho pelas ânsias da morte arrebatando-lhe as forças, percebeu a multidão que os apupava, escutando-lhe ainda os alaridos animalescos… Fitou a tribuna imperial, onde, certo, estariam quantos lhe haviam merecido afeição pura e sincera, mas, dentro de emoções intraduzíveis, viu-se também, nas suas recordações confusas, na tribuna de honra, com a toga de senador, enfeitado de púrpura… Coroado de rosas (a própria pessoa décadas atrás – Públio Lentulus Cornélio – Há Dois Mil Anos) aplaudia, também ele, a matança de cristãos que, sem os postes do suplício nem flechas envenenadas a lhes traspassarem o peito, eram devoradas por feras hediondas e insaciáveis… Desejou andar, mover-se, porém, ao mesmo tempo sentia-se ajoelhado junto de um lago extenso, diante de Jesus Nazareno, cujo olhar doce e profundo lhe penetrava os recônditos do coração… Genuflexo, estendia as mãos para o Mestre Divino, implorando amparo e misericórdia… Lágrimas ardentes queimavam-lhe as faces descarnadas e tristes…

Aos seus olhos moribundos, as turbas furiosas do circo haviam desaparecido… Foi quando um vulto de anjo ou de mulher caminhou para ele, estendendo-lhe as mãos carinhosas e translúcidas… O mensageiro do céu ajoelhara-se junto do corpo ensangüentado e afagou-lhe os cabelos, beijando-o suavemente. O antigo escravo experimentou a carícia daquele ósculo divino e seu espírito cansado e enfraquecido adormeceu de leve, como se fora uma criança. Era Lívia.”[11]

 

O Martírio de Basílio – Livro Ave, Cristo!:

“(Despedida do pai, Basílio (Emmanuel) , da sua filha, Lívia (Chico Xavier) O velho afinador abraçou Lívia, cujos olhos se mantinham velados de pranto que não chegava a cair, e falou emocionado:

– Adeus, minha filha! Creio não mais nos veremos nesta vida mortal. Esperar-te-ei, porém, na eternidade… Se te demorares na Terra, não te sintas a distância de meus passos. Permaneceremos juntos, em espírito… Somente a carne mora à sombra do túmulo… Se fores ultrajada, perdoa… O progresso do mundo é feito com o suor dos que padecem, e a justiça, entre os homens, é um santuário levantado pela dor dos vencidos…

Ergueu os olhos para o Alto, como quem indicava no Céu a última pátria que lhes restava e concluiu: – Um dia, reunir-nos-emos, de novo, no lar sem lágrimas e sem morte!… (…).

O delegado imperial esboçou uma carranca de descontentamento e, fixando Basílio, inquiriu:

– E vós? Que dizeis?

O liberto encanecido sustentou-lhe o olhar penetrante e replicou, sereno:

– Ilustre legado, estamos a serviço do Cristo, que nos recomenda a abstenção de qualquer julgamento leviano, para que não sejamos levianamente julgados. O Evangelho não abona a revolução

– Que insolência! (…) – Aos cavaletes!

Com a passividade que lhes era característica, os seguidores do Crucificado penetraram o lúgubre aposento.

Vários instrumentos de martírio ali se enfileiravam. (…).

– Miseráveis! Confessem agora! Onde se acoitam os cristãos insubmissos?

– Cristianismo e insubmissão não se conhecem! –Redargüiu Vestino, com calma.

– Nada temos a dizer – ajuntou Basílio, resignado.

– Horda de corvos! – trovejou Egnácio, possesso. – por todas as divindades infernais! Desenrolem a língua ou pagarão muito caro o atrevimento!…

Fez um sinal imperativo e as cordas retesaram-se.

Os dois apóstolos atormentados sentiram que o tórax e a cabeça se desligavam, que os braços se separavam do tronco.

Gemeram semi-asfixiados, mas não se lhes arrefeceu o bom ânimo.

– Confessem! Confessem! – repetia o alto dignitário romano, de espírito conturbado pela cólera.

Mas, porque a revelação tardasse, indefinidamente, mandou que as cordas se esticassem, mais e mais.

O peito dos supliciados arfava, dolorosamente.

Ambos cravavam o olhar no teto, qual se buscassem, debalde, a contemplação do Céu.

Pastoso suor escorria-lhes do corpo a estalar-se.

Em determinado momento, Basílio desferiu um grito inesquecível.

– Jesus!…

A imprecação escapara-se-lhe do imo d’alma, num misto inexprimível de dor, amargura, aflição e fé.

Os olhos do velho afinador arregalaram-se nas órbitas, enquanto Vestino apresentava análogos fenômenos de angústia.

Rompida a base do crânio e rebentadas várias veias entre os ossos quebrados e a carne em dilaceração, o sangue, em golfadas sucessivas, lhes borbotou da boca entreaberta.

A morte fora rápida.

Estranha placidez estampou-se nas duas fisionomias dantes torturadas.

Chocaram-se, então, na sala, a perplexidade dos ímpios e o mudo heroísmo dos filhos do Evangelho.”[12]

 

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[1] KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro: FEB, pergunta 907.

[2] JOÃO, 12:43.

[3] TAVARES, Clovis. Amor e Sabedoria de EMMANUEL.IDE, 4ª EDIÇÃO, PÁG.23.

 

[4] TAVARES, Clóvis. Amor e Sabedoria de EMMANUEL.IDE, 4ª EDIÇÃO, PÁG.38 a 40.

 

[5] Ver trecho transcrito no final deste capítulo.

[6] JOÃO 12: ???

[7] TAVARES, Clovis. Amor e Sabedoria de EMMANUEL.IDE, 4ª EDIÇÃO, PÁG.23.

JESUS. Mateus, 7:7.

[8] JESUS. João, 14: 6.

[9] Trecho extraído do prefácio de Há 2000 Anos.

[10] EMMANUEL. Renúncia. p. 307. edição.

 

[11] EMMANUEL (Espírito). 50 Anos Depois. (psicografia de Francisco Cândido Xavier), pelo espírito de Emmanuel. Rio de Janeiro: FEB.

 

[12] EMMANUEL (Espírito). Ave, Cristo!. (psicografia de Francisco Cândido Xavier), pelo espírito de Emmanuel. Rio de Janeiro: FEB.

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EMMANUEL

 

PALAVRAS DE EMMANUEL

 

 

A CIÊNCIA DO TEMPO

 

Diz o preguiçoso: “amanhã farei”.

Exclama o fraco:”amanhã, terei forças”.

Assevera o delinqüente: “amanhã, regenero-me”

É imperioso reconhecer, porém, que a criatura, adiando o esforço pessoal, não alcançou, ainda, a verdade, a noção real do tempo.

Quem não aproveita a bênção do dia, vive distante da glória do século. (Vinha de luz)

 

O tempo, implacável dominador de civilizações e homens, marcha apenas com sessenta minutos por hora, mas nunca detém.

Guardemos a lição e caminhemos para diante, com a melhoria constante de nós mesmos.

Devagar, mas sempre. (Fonte Viva)

 

ADVERTÊNCIAS PROVEITOSAS

 

O pão do corpo é uma esmola pela qual sempre receberá a justa recompensa, mas o sorriso amigo é uma bênção para a eternidade. (Pão Nosso)

 

Amealharás enorme fortuna, todavia ignorarás, por muitos anos, a que região da vida te conduzirá o dinheiro. (Vinha de luz)

 

AMOR E FRATERNIDADE

 

Aprende a semear a luz no solo dos corações, conduzindo o arado milagroso do amor, para que as sombras da ignorância abandonem a Terra para sempre. (Reformador – 8/1950)

 

O determinismo do amor e do bem é a lei de todo o Universo e a alma humana emerge de todas as catástrofes em busca de uma vida melhor. (A caminho da Luz)

 

Só uma lei existe e sobreviverá aos escombros da inquietação do homem – a lei do amor, instituída por meu Pai, desde o princípio da Criação… (Há dois mil anos)

 

As portas do Céu permanecem abertas. Nunca foram cerradas. Todavia, para que o homem se eleve até lá, precisa de asas de amor e sabedoria. (Pão Nosso)

 

A grande maravilha do amor é o seu profundo e divino contágio. Por esse motivo, o Espírito encarnado, para regenerar os seus irmãos da sombra, necessita iluminar-se primeiro. (O Consolador)

 

Esquece e caminha. Muitas vezes, o coração do amigo é ainda frágil e cede ao primeiro impulso da arrasadora ventania do mal. (Reformador – 8/1950)

 

O sorriso de fraternidade, a ajuda silenciosa, a humildade sem alarde, a flor da gentileza e o gesto amigo cabem, prodigiosamente, em qualquer parte. (Reformador 6/1950)

 

ASCENÇÃO

 

A luta e o trabalho são tão imprescindíveis ao aperfeiçoamento do Espírito, como o pão material é indispensável à manutenção do corpo físico. É trabalhando e lutando, sofrendo a aprendendo, que a alma adquire as experiências necessárias na sua marcha para a perfeição. (O Consolador)

 

Toda modificação para melhor reclama luta, tanto quanto qualquer ascensão exige esforço. (Vinha de luz)

 

Somente quando atendemos, em tudo, aos ensinamentos vivos de Jesus, é que podemos quebrar a escravidão do mundo em favor da libertação eterna. (Pão Nosso)

 

À medida que o homem progride moralmente, mais se aperfeiçoará o processo da sua comunhão com os planos invisíveis que lhe são superiores. (Emmanuel)

 

Olvidemos (esqueçamos) o desperdício da energia, os caprichos da infância espiritual e cresçamos, para ser, com o Pai, os tutores de nós mesmos. (Vinha de luz)

 

CAMINHOS ERRADOS

 

Os afeiçoados à calúnia e à maledicência distribuem venenosos quinhões de trevas com que se improvisam grandes males e grandes crimes. (Vinha de luz)

 

Lute-se contra o crime, mas ampare-se a criatura que se lhe enredou nas malhas tenebrosas. (Pão Nosso)

 

Se o homicida conhecesse, de antemão, o tributo de dor que a vida lhe cobrará, no reajuste do próprio destino, preferiria não ter braços para desferir qualquer golpe. (Reformador – 6/1953)

 

A inatividade costuma induzir-nos a falsas apreciações dos desígnios de Deus, a impaciências, a desesperações e rebeldias… (Renúncia)

 

Cérebros e corações, mãos e pés, em disponibilidade, palavras ocas e pensamentos estanques constituem congelamento deplorável do serviço da evolução. (Roteiro)

 

A intolerância jamais compareceu ao lado de Jesus, na propagação da Boa Nova. (Roteiro)

 

A queixa é um vício imperceptível que distrai pessoas bem intencionadas da execução do dever justo. (Vinha de luz)

 

A queixa não atende à realização cristã, em parte alguma, e complica todos os problemas. (Vinha de luz)

 

É imprescindível vigiar a boca, porque o verbo cria, insinua, inclina, modifica, renova ou destrói, por dilatação viva de nossa personalidade. (Vinha de luz)

 

A cólera não resolve os problemas evolutivos e nada mais significa que um traço de recordação dos primórdios da vida humana em suas expressões mais grosseiras. (O Consolador)

 

CIÊNCIA E CIENTIFICISMO

 

Entre a cultura terrestre e a sabedoria do Espírito há singular diferença, que é preciso considerar. A primeira se modifica todos os dias e varia de concepção nos indivíduos que se constituem seus expositores, dentro das mais evidentes características de instabilidade; a segunda, porém, é o conhecimento divino, puro e inalienável, que a alma vai armazenando no seu caminho, em marcha para a vida imortal. (O Consolador)

 

Desde o ponto inicial de suas observações, a Física é obrigada a reconhecer a existência de Deus em seus divinos atributos. Para demonstrar o sistema do mundo, o cientista não recorreu ao chamado eixo imaginário? Basta essa incógnita para que o homem seja conduzido a ilações mais altas, no domínio transcendente. (O Consolador)

 

COMO VENCER

 

O coração tem mil caminhos para a felicidade, quando procuramos aceitar a vontade de Deus. (Renúncia)

 

Os corações endurecidos geram nuvens de desconfiança, por onde passam. (Vinha de luz)

 

No esforço redentor, é indispensável que não se percam de vista as possibilidade pequeninas: um gesto, uma palestra, uma hora, uma frase pode representar sementes gloriosas para edificações imortais. Imprescindível, pois, jamais desprezá-las. (Pão Nosso)

 

CONVÉM NÃO ESQUECER

 

Todas as doutrinas religiosas têm a sua razão de ser no seio das coletividades, onde foram chamadas a desempenhar a missão de paz e de concórdia humana. Todos os seus males provêm justamente dos abusos do homem, em amoldá-las ao abismo de suas materialidades habituais. (Emmanuel)

 

O pensamento é o gerador dos infracorpúsculos ou das linhas de força do mundo subatômico, criador de correntes de bem ou de mal, grandeza ou decadência, vida ou morte, segundo a vontade que o exterioriza e dirige. (Roteiro)

 

A residência da alma permanece situada no manancial de seus próprios pensamentos. (Roteiro)

 

COOPERATIVISMO

 

Sem cooperativismo, não poderia existir o amor; e o amor é a força de Deus, que equilibra o Universo. (Paulo e Estêvão)

 

A cooperação espontânea é o supremo ingrediente da ordem. (Pensamento e vida)

 

Quem dá pão ao faminto e água ao sedento, remédio ao enfermo e luz ao ignorante, está colaborando na edificação do Reino Divino, em qualquer setor da existência ou da fé religiosa e que foi chamado. (Vinha de luz)

 

 

CORPO HUMANO

 

No corpo humano, temos na Terra o mais sublime dos santuários e uma das supermaravilhas da Obra Divina.

Da cabeça aos pés, sentimos a glória do Supremo idealizador que, pouco a pouco, no curso incessante dos milênios, organizou para o Espírito em crescimento o domicílio de carne em que a alma se manifesta. Maravilhosa cidade estruturada com vidas microscópicas quase imensuráveis, por meio dela a mente se desenvolve e purifica, ensaiando-se nas lutas naturais e nos serviços reguladores do mundo, para altos encargos nos círculos superiores.

A bênção de um corpo, ainda que mutilado ou disforme, na Terra, é como preciosa oportunidade de aperfeiçoamento espiritual, o maior de todos os dons que o nosso planeta pode oferecer. (Roteiro)

 

O corpo é para o homem santuário real de manifestação, obra-prima do trabalho seletivo de todos os reinos em que a vida planetária se subdivide. (Roteiro)

 

CRISTO E CRISTANDADE

 

Cristo não é somente uma figuração filosófica ou religiosa nos altiplanos do pensamento universal. É também o restaurador da casa espiritual dos homens. (Vinha de luz)

 

Com o Cristo, não vemos a idéia de repouso improdutivo como preparação do Céu. (Roteiro)

 

Os títulos do Cristo não são os da inatividade, com isenção de responsabilidade e esforço. (Vinha de luz)

 

O Cristo é o nosso Guia divino para a conquista santificante do Mais Além… Não te afastes dele. (Roteiro)

 

Jesus não é um símbolo legendário; é um Mestre Vivo. (Caminho, verdade e vida)

 

DEUS

 

Católicos, protestantes, espiritistas, todos eles se movimentam, ameaçados pelo monstro da separação, como se o pensamento religioso traduzisse fermento da discórdia.

Querem todos que Deus lhes pertença, mas não cogitam de pertencer a Deus. (Vinha de luz)

 

 

A mais elevada concepção de Deus que podemos abrigar no santuário do espírito é aquela em que Jesus nos apresentou, em no-lo revelando Pai amoroso e justo, à espera dos nossos testemunhos de compreensão e de amor. (Pão Nosso)

 

Deus é Pai magnânimo e justo. Um pai não distribui padecimentos. Dá corrigendas e toda corrigenda aperfeiçoa. (Caminho, verdade e vida)

 

DIREITOS E DEVERES

 

Não estamos na obra do mundo para aniquilar o que é imperfeito, mas para completar o que se encontra inacabado. (Vinha de luz)

 

Onde estivermos, atendamos ao impositivo de nossas tarefas, convencidos de que nossas mãos substituem as do Celeste Trabalhador, embora em condição precária. (Vinha de luz)

 

ESCLARECIMENTO

 

Quem ouve, aprende. Quem fala, doutrina.

Um guarda, outro espalha.

Só aquele que guarda, na boa experiência, espalha com êxito. (Caminho, verdade e vida)

 

Asseverou Jesus: “Quem busca, acha.”

Quem procura o mal encontra-se com o mal igualmente.

Existe perfeita correspondência entre nossa alma e a alma das coisas. Não expendemos uma hipótese, examinamos uma lei. (Caminho, verdade e vida)

 

O quadro material que existe na Terra não foi formado pela vontade do Altíssimo; ele é o reflexo da mente humana, desvairada pela ambição e pelo egoísmo. (Emmanuel)

 

ESPIRITISMO – ESPIRITUALISMO – EVANGELHO

 

Espiritismo sem Evangelho é apenas sistematização de idéias para transposição da atividade mental, sem maior eficiência na construção do provir humano. (Reformador – 9/1948)

 

O Espiritismo, nos tempos modernos, é, sem dúvida, a revivescência do Cristianismo em seus fundamentos mais simples. (Roteiro)

 

O Espiritismo será, indiscutivelmente, a força do Cristianismo em ação para reerguer a alma humana e sublimar a vida. (Roteiro)

 

O Espiritismo, sob a luz do Cristianismo, vem ao mundo para acordar-nos. (Roteiro)

 

O Evangelho é código de paz e felicidade que precisamos substancializar dentro da própria vida! (Ave, Cristo!)

 

FÉ – ESPERANÇA – CARIDADE

 

Quando fizeres o costumeiro balanço de tua Fé, repara, com honestidade imparcial, se estás falando apenas do Cristo ou se procuras seguir-lhe os passos, no caminho comum. (Vinha de luz)

 

Ter Fé é guardar no coração a luminosa certeza em Deus, certeza que ultrapassou o âmbito da crença religiosa, fazendo o coração repousar numa energia constante de realização divina da personalidade. (O Consolador)

 

A Esperança é a filha dileta da Fé. Ambas estão, uma para a outra, como a luz reflexa dos planetas está para a luz central e positiva do Sol. (O Consolador)

 

O bem que praticares, em algum lugar, é teu advogado em toda a parte. (Vinha de luz)

 

Bondade e conhecimento, pão e luz, amparo e iluminação, sentimento e consciência são arcos divinos que integram os círculos perfeitos da caridade.

Não só receber e dar, ma também ensinar e aprender. (Vinha de luz)

 

Sai, cada dia, de ti mesmo, e busca sentir a dor do vizinho, a necessidade do próximo, as angústias de teu irmão e ajuda quanto possas.

Não te galvanizes na esfera do próprio eu. (Reformador – 1/1953)

 

FELICIDADE

 

A felicidade tem base no dever cumprido. (Renúncia)

 

O homem renovado para o bem é a garantia substancial da felicidade humana. (Pref. Agenda Cristã)

 

FILOSOFIA DA DOR

 

Quantas enfermidades pomposamente batizadas pela ciência médica não passa de estados vibratórios da mente em desequilíbrio? (Vinha de luz)

 

A moléstia incurável é um escoadouro bendito de nossas imperfeições. (Renúncia)

 

O amor equilibra, a dor restaura. É por isso que ouvimos muitas vezes: Nunca teria acreditado em Deus se não houvesse sofrido. (Caminho, verdade e vida)

 

A dor é o preço sagrado de nossa redenção…(Cinquenta anos depois)

 

Ninguém passará ileso nos caminhos do mundo.

As pedras da incompreensão e da dor, no ambiente comum da existência carnal, chovem sobre todos. (Reformador – 10/1952)

 

A lei das provas é uma das maiores instituições universais para a distribuição dos benefícios divinos. (O Consolador)

 

Dor e sacrifício, aflição e amargura são processos de sublimação que o Mundo Maior nos oferece, a fim de que nossa visão espiritual seja acrescentada. (Reformador – 10/1953)

 

Não basta sofrer simplesmente para ascender à glória espiritual. Indispensável é saber sofrer, extraindo as bênçãos de luz que a dor oferece ao coração sequioso de paz. (Vinha de luz)

 

Toda dor física é um fenômeno, enquanto que a dor moral é essência.

Daí a razão por que a primeira vem e passa, ainda que se faça acompanhar das transições de morte dos órgãos materiais, e só a dor espiritual é bastante grande e profunda para promover o luminoso trabalho do aperfeiçoamento e da redenção. (O Consolador)

 

Treva e sofrimento são estados de nossa posição imperfeita, à frente do Altíssimo…(Ave, Cristo!)

 

A dor é o avesso da alegria, assim como a sombra é o reverso da luz… Mas, na economia das verdades eternas, só a alegria e a luz nunca morrem. (Ave, Cristo!)

 

A dor espreitar-nos-á a existência, porque a dor é o selo do aperfeiçoamento moral no mundo… (Ave, Cristo!)

 

As enfermidades congênitas nada mais são que reflexos da posição infeliz a que nos conduzimos no pretérito (passado) próximo. (Pensamento e vida)

 

 

 

 

FILOSOFIA DA MORTE

 

Lembra-te de que as civilizações se sucedem no mundo, há milhares de anos, e que os homens, por mais felizes e por mais poderosos, foram constrangidos à perda do veículo de carne para o acerto de contas morais com a eternidade. (Reformador – 3/1953)

 

Se procuras contato com o plano espiritual, recorda que a morte do corpo não nos santifica. (Roteiro)

 

Para os que permanecem na carne, a morte significa o fim do corpo denso; para os que vivem na esfera espiritual, representa o reinício da experiência. (Vinha de luz)

 

FILOSOFIA DA VIDA

 

A vida não é isso que vemos na banalidade de todos os dias terrestres; é antes afirmação de imortalidade gloriosa com Jesus Cristo. (Paulo e Estêvão)

 

A vida do homem não consiste na abundância daquilo que possui, mas na abundância dos benefícios que esparge e semeia, atendendo aos desígnios do Supremo Senhor. (Vinha de luz)

 

Saibamos viver, como devemos saber andar: com a firmeza dos fortes, com a Fé sempre candente e viva dos bons seguidores do Mestre Nazareno. (Reformador – 5/1949)

 

A existência terrestre é um aprendizado em que nos consumimos devagarinho, de modo a atingir a plenitude do mestre. (Renúncia)

 

FILÓSOFOS E CONSIDERAÇÕES FILOSÓFICAS

 

Não há moços nem velhos e sim almas jovens no raciocínio ou profundamente enriquecidas no campo das experiências humanas. (Cinquenta anos depois)

 

Os filósofos do mundo sempre pontificaram de cátedras confortáveis, mas nunca desceram ao plano de ação pessoal, ao lado dos mais infortunados da sorte. (Paulo e Estêvão)

 

Que fazes de teus pés, de tuas mãos, de teus olhos, de teu cérebro? Sabes que esses poderes te foram confiados para honrar o Senhor iluminando a ti mesmo? Medita nestas interrogações e santifica teu corpo, nele encontrando o templo divino. (Pão Nosso)

 

Respirarás na zona superior ou inferior, torturada ou tranqüila, em que colocas a própria mente. (Pão Nosso)

 

Em toda parte, a palavra é índice de nossa posição evolutiva. Indispensável aprimorá-la, iluminá-la e enobrecê-la. (Vinha de luz)

 

GRANDES VERDADES

 

Berço e túmulo são simples marcos de uma condição para outra. (Roteiro)

 

Todas as teorias evolucionistas no orbe terrestre caminham para a aproximação com as verdades do Espiritismo, no abraço final com a Verdade suprema. (O Consolador)

 

A Psicologia e a Psiquiatria, entre os homens da atualidade, conhecem tanto do Espírito, quanto um botânico, restrito ao movimento em acanhado círculo de observação do solo, que tentasse julgar um continente vasto e inexplorado, por alguns talos de erva, crescidos ao alcance de suas mãos. (Roteiro)

 

Quando a câmara permanece sombria, somos nós que desatamos e ferrolho à janela para que o sol nos visite. (Fonte Viva)

 

ILUMINAÇÃO

 

O que crê, apenas admite; mas o que se ilumina vibra e sente. (O Consolador)

 

A palavra do guia é agradável e amiga, mas o trabalho de iluminação pertence a cada um. (O Consolador)

 

A maioria dos católicos romanos pretende a isenção das dificuldades com as cerimônias exteriores; muitos protestantes acreditam na plena identificação com o céu tão só pela enunciação de alguns hinos; enquanto enorme percentagem de espiritistas se crê na intimidade de supremas revelações apenas pelo faro de haver freqüentado algumas sessões.

Tudo isso constitui preparação valiosa, mas não é tudo.

Há um esforço iluminativo para o interior, sem o qual homem algum penetrará o santuário da Verdade Divina. (Pão Nosso)

 

 

 

 

 

 

INCOMPREENSÃO HUMANA

 

O delinqüente comum, algemado ao cárcere, inspira piedade e sofrimento. O paladino de uma causa nobre, injustamente recluso no mesmo sítio, provoca respeito e imitação.

 

Se Jesus foi chamado de feiticeiro, crucificado como malfeitor e arrebatado de sua amorosa missão para o madeiro afrontoso, que não devem esperar seus aprendizes sinceros, quando verdadeiramente devotados à sua causa? (Caminho, verdade e vida)

 

INSTITUTO DA FAMÍLIA

 

Os estabelecimentos de ensino, propriamente do mundo, podem instruir, mas o instituto da família pode educar. É por essa razão que a universidade poderá fazer o cidadão, mas somente o lar pode edificar o homem. (O Consolador)

 

As escolas instrutivas do planeta poderão renovar sempre os seus métodos pedagógicos, com esses ou aqueles processos novos, de conformidade com a Psicologia infantil, mas a escola educativa do lar só possui uma fonte de renovação que é o Evangelho, e um só modelo de mestre, que é a personalidade excelsa do Cristo. (O Consolador)

 

LIBERDADES

 

Somente o dever bem cumprido nos confere acesso à legítima liberdade. (Pão Nosso)

 

Somente o bem pode conferir o galardão da liberdade suprema, representando a chave única suscetível de abrir as portas sagradas do Infinito à alma ansiosa. (Caminho, verdade e vida)

 

MEDICINA DO FUTURO

 

A Medicina do futuro terá de ser eminentemente espiritual, posição difícil de ser atualmente alcançada, em razão da febre maldita do ouro; mas os apóstolos dessas realidades grandiosas não tardarão a surgir nos horizontes acadêmicos do mundo, testemunhando o novo ciclo evolutivo da Humanidade. (Emmanuel)

 

Quando o homem espiritual dominar o homem físico, os elementos medicamentosos da terra estarão transformados na excelência dos recursos psíquicos e essa grande oficina achar-se-á elevada a santuário de forças e possibilidades espirituais junto das almas. (O Consolador)

 

MÉDIUNS – MEDIUNISMO – FENÔMENOS ESPÍRITAS

 

O Deuteronômio proibia terminantemente o intercâmbio com os que houvessem partido pelas portas da sepultura, em vista da necessidade de afastar a mente humana de cogitações prematuras. Entretanto, Jesus, assim como suavizara a antiga lei de justiça inflexível com o perdão de um amor sem limites, aliviou as determinações de Moisés, vindo ao encontro dos discípulos saudosos. (Caminho, verdade e vida)

 

NO CAMPO DAS IDÉIAS

 

O homem simplesmente terrestre mantém-se na expectativa da morte orgânica; o homem espiritual espera o Mestre Divino, para consolidar a redenção própria. (Pão Nosso)

 

No campo das idéias os elos do sangue nem sempre significam harmonia de opinião entre aqueles que o Céu uniu no instituto familiar. (Cinquenta anos depois)

 

NO CAMPO DOS SENTIMENTOS

 

A música na Terra é, por excelência, a arte divina. (O Consolador)

 

Ninguém pode imaginar, enquanto na Terra, o valor, a extensão e a eficácia de uma prece nascida na fonte viva do sentimento. (Reformador – 6/1953)

 

Na gradação dos sentimentos humanos, a amizade sincera é bem o oásis de repouso para o caminheiro da vida, na sua jornada de aperfeiçoamento. (O Consolador)

 

O VERBO HUMANO E A PALAVRA ESCRITA

 

Os livros ensinam, mas só o esforço próprio aperfeiçoa a alma para a grande e abençoada compreensão. (O Consolador)

 

A palavra é um dom divino, quando acompanhada dos atos que a testemunhem; e é através de seus caracteres falados ou escritos que o homem recebe o patrimônio de experiências sagradas de quantos o antecederam no mecanismo evolutivo das civilizações. É por intermédio de seus poderes que se transmite, de gerações a gerações, o fogo divino do progresso na escola abençoada da Terra. (O Consolador)

 

PAZ

 

Não acreditamos em paz ambiental sem paz dentro de nós mesmos. (Reformador – 12/1948)

 

A fortuna suprema do homem é a paz da consciência pelo dever cumprido. (Paulo e Estêvão)

 

Poderá alguém insistir na obtenção da verdadeira paz, quando ainda disputa a ferro e fogo a posse de bens perecíveis. (Renúncia)

 

RECOMENDAÇÕES ÚTEIS

 

Quando te sentires cansado, lembra-te de que Jesus está trabalhando. Começamos ontem nosso humilde labor e o Mestre se esforça por nós, desde quando? (Caminho, verdade e vida)

 

A melhor posição da vida é a do equilíbrio. Não é justo desejar fazer nem menos, nem mais do que nos compete, mesmo porque o Mestre sentenciou que a cada dia bastam os seus trabalhos. (Paulo e Estêvão)

 

Esclarecer é também amar. (O Consolador)

 

Não basta fazer do Cristo Jesus o benfeitor que cura e protege. É indispensável transformá-lo em padrão permanente da vida, por exemplo e modelo de cada dia. (Vinha de luz)

 

Em qualquer idade, podemos e devemos operar a iluminação ou o aprimoramento de nós mesmos. (Paulo e Estêvão)

 

Cura a catarata e a conjuntivite, mas corrige a visão espiritual de teus olhos. (Pão Nosso)

 

RELIGIÕES

 

Os cultos religiosos, em sua feição dogmática, são igualmente transitórios como todas as fórmulas do convencionalismo humano. (O Consolador)

 

Diz-se que pensamento religioso é uma ilusão. Tal afirmativa carece de fundamento. Nenhuma teoria científica, nenhum sistema político, nenhum programa de reeducação pode roubar do mundo a idéia de Deus e da imortalidade do ser, inatas no coração dos homens. As ideologias novas também não conseguirão eliminá-la.

A Religião viverá entre as criaturas, instruindo e consolando, como um sublime legado. (Emmanuel)

 

SEPULTURA E DESENCARNADOS

 

Não se esqueça de que os desencarnados não são magos, nem adivinhos. São irmãos que continuam na luta de aprimoramento. (Pão Nosso)

 

Quem passa pela sepultura prossegue trabalhando e, aqui, quanto aí, só existe desordem para o desordeiro. Na crosta da terra ou além de seus círculos, permanecemos vivos, invariavelmente. (Pão Nosso)

 

SERVIR

 

É muito fácil servir à vista. Todos querem fazê-lo, procurando o apreço dos homens.

Difícil, porém, é servir às ocultas, sem o ilusório manto da vaidade. (Vinha de luz)

 

O servidor sincero do Cristo fala pouco e constrói, cada vez mais, com o Senhor, no divino silêncio do Espírito…

Vai e serve. (Vinha de luz)

 

Servir é criar simpatia, fraternidade e luz. (Reformador – 5/1950)

 

TEMAS VARIADOS

 

Há grande diversidade entre doutrinar e evangelizar. Para doutrinar, basta o conhecimento intelectual dos postulados do Espiritismo; para evangelizar é necessária a luz do amor íntimo. Na primeira, bastará a leitura e o conhecimento; na segunda, é preciso vibrar e sentir com o Cristo. (O Consolador)

 

Personalidade sem luta, na crosta planetária, é alma estreita. Somente o trabalho e o sacrifício, a dificuldade e o obstáculo, como elementos de progresso e autosuperação, podem dar ao homem a verdadeira notícia de sua grandeza. (Pão Nosso)

 

Toda mulher, e mormente todas as mães, precisam compreender o valor da renúncia, da caridade, do perdão. (Renúncia)

 

A súplica, no remorso, traz-nos a bênção das lágrimas consoladoras. A rogativa, na aflição, dá-nos a conhecer a deficiência própria, ajudando-nos a descobrir o valor da Humanidade. A solicitação, na dor, revela-nos a fonte sagrada da Inesgotável Misericórdia. (Vinha de luz)

 

 

 

TRABALHO

 

O trabalho é um relógio contra as aflições que dominam a alma. (Reformador – 5/1950)

 

O trabalho é sempre o instrutor do aperfeiçoamento. (Reformador – 8/1950)

 

VERDADES DURAS

 

A maioria não pretende ouvir o Senhor e, sim, falar ao Senhor, qual se Jesus desempenhasse simples função de pajem subordinado aos caprichos de cada um. (Vinha de luz)

 

Nunca houve no mundo tantos templos de pedra, como agora, para as manifestações de religiosidade, e jamais apareceu tamanho volume de desencanto nas almas. (Reformador – 2/1946)

 

Muitos dizem, eu creio, mas poucos podem declarar estou transformado. (Caminho, verdade e vida)

 

O poder é uma fantasia na mão do homem, assim como a beleza é um engodo no coração da mulher. (Ave, Cristo!)

 

VERDADE REENCARNACIONISTA

 

Cada encarnação é como se fora um atalho nas estradas da ascensão. Por esse motivo, o ser humano deve amar a sua existência de lutas e de amarguras temporárias, porquanto ela significa uma bênção divina. (Emmanuel)

 

As óperas imortais não nasceram do lodo terrestre, mas da profunda harmonia do Universo, cujos cânticos sublimes foram captados parcialmente pelos compositores do mundo, em momentos de santificada inspiração. (O Consolador)

 

VINDE A MIM AS CRIANCINHAS

 

Não olvides que a primeira escola da criança brilha no lar. Abre teu coração à influência do Cristo, o divino escultor de nossa felicidade, a fim de que o menino encontre contigo os recursos básicos para o serviço que o espera na edificação do Reino de Deus. (Reformador – 10/1953)

 

Como esperar o aprimoramento da Humanidade, sem a melhoria do Homem, e como aguardar o Homem renovado, sem o amparo à criança? (Reformador – 10/1953)

 

VIRTUDES

 

A verdadeira paciência é sempre uma exteriorização da alma que realizou muito amor em si mesma, para dá-lo a outrem, na exemplificação. (O Consolador)

 

A alma, em se voltando para Deus, não deve ter em mente senão a humildade sincera na aceitação de sua vontade superior. (Emmanuel)

 

A manjedoura assinalava o ponto inicial da lição salvadora do Cristo, como a dizer que a humildade representa a chave de todas as virtudes. (A caminho da luz)

 

 

TEXTOS EXTRAÍDOS DO LIVRO:

 

PALAVRAS DE EMMANUEL

Obra psicografada por Francisco Cândido Xavier

 

INDICADOR:

 

SIGLA

NOME DA OBRA

A.C.L A caminho da luz
Av. C. Ave, Cristo!
C.V.V Caminho, verdade e vida
50 A. D. Cinqüenta anos depois
Con. O Consolador
Emm. Emmanuel
Há 2.000 A. Há dois mil anos
P.N. Pão Nosso
P.E. Paulo e Estêvão
Pref. Ag. C. Pref. Agenda Cristã
Pref. Alv. C. Pref. Alvorada Cristã
Pref. J. no L. Pref. Jesus no lar
Pref. Mens. Pref. Os Mensageiros
Pref. M. L. Pref. Missionários da luz
Pref. N. M. M. Pref. No mundo maior
Pref. N. L. Pref. Nosso Lar
Pref. O. V. E. Pref. Obreiros da vida eterna
R. Reformador
Ren. Renúncia
Rot. Roteiro
V.L. Vinha de luz
F.V. Fonte Viva
P.V. Pensamento e vida

 

 

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