Allan Kardec

ALLAN KARDEC

Hippolyte Léon Denizard Rivail, nasceu na cidade de Lião (França), às 19 horas do dia 3 de outubro de 1804. * Desencarna 31 marco 1869 – 65 anos

Descendente de antiga família lionesa, católica, de nobres e dignas tradições, foram seus pais Jean-Batiste Antonie Rivail, homem de leis , juiz, e Jeanne Louise Duhamel, (mulher notavelmente bela, prendada, elegante e afável, a quem o filho devotada profundo afeto. 
O futuro Codificador do Espiritismo recebeu um nome querido e respeitado, que remonta ao século XV, e todo um passado de virtudes, de honra e de integridade. Grande número de seus antepassados se tinham distinguido na advocacia, na magistratura e até mesmo no trato dos problemas educacionais.
Bem cedo, o menino se revelou altamente inteligente e perspicaz observador, sempre compenetrado de seus deveres e responsabilidades, denotando franca inclinação para as ciências e para os assuntos filosóficos.
Rivail realizou seus primeiros estudos em Lião, sendo educado dentro de severos princípios de honradez e retidão moral. É de se presumir que a influência paterna e materna tenha sido das mais benéficas na sua infância, constituindo-se em fonte de nobres sentimentos.
Com a idade de 10 anos, seus pais o enviam a Yverdon, cidade suíça do cantão de Vaud, afim de completar e enriquecer sua bagagem escolar no célebre Instituto de Educação ali instalado, em 1805, pelo professor-filantropo João Henrique Pestalozzi.
O Pensamento religioso de Pestalozzi que influenciaram, na formação de Rivail
No seu Instituto de Educação, em Yverdon, cidade de cantão protestante, Pestalozzi conviveu com professores calvinistas e luteranos extremados no zelo religioso, mas, apesar disso e não obstante pertencer também à igreja reformada, ele sempre se colocou eqüidistante do misticismo, dos preconceitos e das paixões religiosas.
Como dava à Bíblia, tão fundamentalmente para a fé protestante, apenas um valor relativo, como tinha em pouco apreço o estudo do catecismo e as instruções verbais em geral no desenvolvimento do sentimento religioso das crianças, como praticava a moral ativa e intuitiva e não a moral de cartilha, tal procedimento devia escandalizar os reformados daquele tempo. Quanto ao “mistério Trindade”, dizia não encontrá-lo na Bíblia. Admitia, sim, um Deus-Amor, Pai de todas as criaturas, e sob essa forma é que queria fosse apresentado às crianças. Jesus, a quem muitas vezes se dirigiu em deprecações, era para ele o Filho de Deus e o maior dos homens.
Esboço do sistema pestalozziano
I – A intuição é o fundamento da instrução.
II – A Linguagem deve estar ligada à intuição.
III – A época de ensinar não é a de julgar e criticar.
IV – Em cada matéria, o ensino deve começar pelos elementos mais simples, e daí
continuar gradualmente de acordo com o desenvolvimento da criança, isto é, por séries
psicologicamente encadeadas.
V – Deve-se insistir bastante tempo em cada ponta da lição, a fim de que a criança
adquira sobre ela o completo domínio e a livre disposição.
VI – O ensino deve seguir a via do desenvolvimento e jamais a da exposição dogmática.
VII – A individualidade do aluno deve ser sagrada para o educador.
VIII – O principal fim do ensino elementar não é sobrecarregar a criança de
conhecimentos e talentos, mas desenvolver e intensificar as forças de sua inteligência.
IX – Ao saber é preciso aliar a ação; aos conhecimentos.
X – As relações entre mestres e aluno, sobretudo no que concerne à disciplina, devem
ser fundadas no amor e por ele governadas.
XI – A instrução deve constituir o escopo superior da educação.
(Alguns conceitos foram por ele reformulados)

Os princípios basilares da educação pestalozziana:
a) desenvolvimento da atenção
b) formação da consciência
c) enobrecimento do coração

Pestalozzi achava que todo bom método devia partir do conhecimento dos fatos adquiridos pela observação, pela experiência e pela analogia, para daí se extraírem, por indução, os resultados e se chegar a enunciados gerais que possam servir de base ao raciocínio, dispondo-se esses materiais com ordem, sem lacuna, harmoniosamente. A arte da educação devia aproximar-se da natureza, e o melhor método de ensino seria aquele que dela mais se aproximasse.

Curso de Aritmética – 1 ª Obra de Rivail
Princípios que lhe parecem mais adequados ao ensino à criança, fazendo-o em harmonia com o sistema pestalozziano, como era de se esperar de um discípulo do mestre suíço, que inclusive nortearam bem mais tarde nas pesquisas espíritas e bem assim na Codificação da Doutrina:
1º – Cultivar o espírito natural de observação das crianças, dirigindo-lhes a atenção para os objetos que as cercam.
2º – Cultivar a inteligência, observando um comportamento que habilite o aluno a descobrir por si mesmo as regras.
3º – Proceder sempre do conhecimento para o desconhecido, do simples para o composto.
4º – Evitar toda atitude mecânica, levando o aluno a conhecer o fim e a razão de tudo o que faz.
5º – Conduzi-lo a apalpar com os dedos e com os olhos todas as verdades. Este princípio forma, de algum modo, a base material deste curso.
6º – Só confiar à memória aquilo que já tenha sido apreendido pela inteligência.
Rivail parece ter dado a este último princípio atenção toda especial.
“ A condição essencial da memória é a atenção, a ordem, a inteligência, em suma, o juízo e o espírito crítico. Portanto, devem confiar-se à memória conhecimentos claros, bem ordenados e facilmente assimiláveis.”
A criança traz consigo a curiosidade inata, mas esta precisa despertada, como o reconheceu Rivail no primeiro princípio acima enunciado. Deste empenho é que nascerá a atenção, a percepção e, por fim, a memoria inteligente, não a memória papagueadora e pedantesca, segundo a expressão usada po9r Rui Barbosa. Seguindo a orientação de Pestalozzi, o jovem discípulo recomendava a memória raciocinada, que faz uso do juízo para reter as idéias assenhoreadas pela inteligência, ao contrário da memória puramente mecânica, que apenas retém as palavras.
Como não podia deixar de ser, Rivail utilizou-se do ensino intuitivo, processo didático preconizado por Pestalozzi e segundo o qual se transmite ao educando a realização, a atualização da idéia, recorrendo-se aos exercícios de intuição sensível (educação dos sentidos), com passagem natural a atividades mentais que preludiam a intuição intelectual.
“A idéia existe originariamente na criança, e a intuição sensível é somente a sua realização concreta, único meio de a idéia se tornar compreensível, porque se encontra como força modeladora que vive a atua na criança.”
O ensino intuitivo se funda na substituição do verbalismo e do ensino livresco pela observação, pelas experiências, pelas representações gráficas, etc., operando sobre todas as faculdades da criança. “A base da instrução elementar de Pestalozzi – afirmou Jullien de Paris – é a INTUIÇÃO, que ele considera como o fundamento geral de nosso conhecimentos e o meio mais adequado para desenvolver as forças do espírito humano, da maneira mais natural.” (…)
Não obstante adotar o método intuitivo pestalozziano, Rivail achou de bom alvitre não abandonar de todo o ensino abstrato, que ainda estava em voga na maioria das escolas francesas. Inteligentemente procurou conciliá-lo com a doutrina e a prática da escola intuitiva, de maneira que os alunos não teriam dificuldade em se adaptarem exclusivamente a um ou a outro ensino.
MADAME RIVAIL
Amélie-Gabrielle Boudet Nac.23 de novembro 1795 * 1883 – 88 anos
Aliando, desde cedo, grande vivacidade e forte interesse pelos estudos, ela não foi problema para os pais, que a par de fina educação moral, lhe proporcionaram apurados dotes intelectuais. Após cursar a escola primária, e Escola Normal, saiu diplomada em professora de 1ª classe.
Fora professora de Letras e Belas-Artes, trazendo de encarnações passadas tendência inata, para a poesia e o desenho.
De estatura baixa, mas bem proporcionada, de olhos pardos e serenos, gentil e graciosa, vivaz nos gestos e na palavra, denunciando penetração de espírito. Aliava a todos este predicados um sorriso terno e bondoso, a terna solicitude com as crianças.
Secundou por todos os meios, mormente na direção física e moral dos alunos mais jovens, necessitados de cuidados especiais.
ALGUNS TRAÇOS DO CARÁTER DO MESTRE DA CODIFICAÇÃO
Era muito polido, de fina educação, sério, mas não sisudo, circunspecto e moralista por excelência. Serviu-se poucas vezes da ironia em seus escritos. “Tenho consciência de não ter feito, voluntariamente mal a ninguém; aqueles que me fizeram mal, não poderão dizer o mesmo, e, entre nós, Deus será juiz.”
Embora houvesse, em 1858, declarado que “as mesas girantes são como a maçã de Newton, que, na sua queda, encerra o sistema do mundo”, o fato declinou da honra de ter fundado o Espiritismo. Em 1861, aspirava apenas ao “modesto título de propagador”

“(…) a ninguém lisonjeamos para obter adesões à nossa causa; deixamos que as coisas sigam seu curso natural, ciente de que, se nossa maneira de ver e fazer não for boa, nada a fará prevalecer. Sabemos muito bem que, por não termos incensado certos indivíduos, os afastamos de nós, e eles se voltaram para o lado de onde vinha o incenso.”
“Temos consciência de que, em toda a nossa vida, nunca devemos nada à adulação nem à intriga, razão por que não acumulamos grande coisa, e não é com o Espiritismo que começaríamos.”
“Louvamos com alegria os fatos realizados, os serviços prestados, porém jamais, por antecipação, os serviços que possam prestar ou que prometam prestar.”
“Quando cessamos de aprovar, não censuramos; guarda-mos silêncio, a menos que o interesse da causa nos force a rompê-lo.”

Fonte: Allan Kardec-(Meticulosa Pesquisa Bibliográfica) Zêus Wantuil e Francisco Thiesen – FEB

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