Música

A música Mineira

A história da música em Minas Gerais, pode ser considerada como uma das mais ricas e antigas dos quatro cantos deste Brasil, destacando em seu período inicial, o deslumbrante movimento barroco do século XVIII, tanto por suas obras sacras quanto profanas, por nomes tais como os de Francisco Gomes da Rocha e Lobo de Mesquita, pelas modinhas dos tempos dos Inconfidentes, onde seus poetas escreviam os encantos desta terra e pessoas mais do que desconhecidas elaboravam música em cima de tais preciosas palavras. Também não há de se esquecer, da tradição da música folclórica, das cantigas de roda e rural, herdada principalmente por portugueses e escravos que aqui habitavam.
Já no século XIX, a música mineira passara por uma grandiosa transformação, através da criação e evolução das bandas musicas, que posteriormente tornariam-se verdadeiros símbolos de nossa cultura. Chegando ao século XX, já em seu início, podemos destacar a forte presença do chorinho, das marchinhas, da seresta e do samba, sendo este tão bem representado por nomes inesquecíveis como o de Ary Barroso e Ataulfo Alves.
Em tempos de 1957, chegava aos ouvidos mineiros e do mundo, a Bossa Nova carioca, marcada principalmente pelo jeito único de cantar e tocar samba, aliado ao estilo Jazzístico de aplicar e executar tais experimentos. Com a chegada da próxima década, as rádios mostravam aos jovens a Invasão do Rock Britânico, liderada principalmente por uma das mais expressivas e importantes bandas da história, os Beatles.
Todos os aspectos aqui apresentados sem exceções, foram cruciais para moldar a visão e inspiração dos artistas mineiros, desde então, tais elementos tornaram-se fundamentais para a construção e textualização da musicalidade empregada em suas artes.
Por Altieres Fonseca (31/10/2010)

Clube da Esquina: 35 anos depois

Divulgação

Um encontro de gerações do Clube da Esquina.

Após de 35 anos de lançamento do disco Clube da Esquina nº1, os diversos músicos que fizeram parte deles se encontram em dois dias de shows, em Belo Horizonte.

Um disco, a importância que um único disco pode ter para a história de toda uma geração. Os músicos, as suas obras e vidas registradas nos sulcos de um disco de vinil que acaba se tornando um símbolo de uma geração. O espírito de uma época, de um bairro, uma esquina, de encontros numa esquina, traduzidos em um simples disco.

O álbum Clube da Esquina nº 1 foi sem dúvida um divisor de águas da música brasileira. Ele trouxe inovações harmônicas e rítmicas para a época: as várias cores musicais do erudito de Wagner Tiso, do canto gregoriano do Milton Nascimento, o jazz de Toninho Horta e pop britânico de Beto Guedes e Lô Borges. Junte a isso as diferentes referências culturais do grupo: o cinema de Truffaut, filosofia existencialista de Sartre, a literatura beatnik, a cultura cigana, o estilo de vida do interior mineiro. O resultado é o estilo de música mais influente da música brasileira, depois da Bossa Nova.

Foi a partir da década de 60 que a música popular brasileira começou a mudar. A pluralidade de novos artistas que surgiram na época ainda é a mais importante na história da música popular do Brasil. Era um momento no qual todos estavam procurando dar eco às suas vozes, meio a uma grande repressão política e de liberdade de expressão.

A influência e a singularidade das músicas do Clube da Esquina o transformaram no mais importante movimento musical de Minas Gerais. Mesmo que de certa maneira ofuscado pelo Tropicalismo da dobradinha São Paulo – Bahia, os garotos do bairro Santa Tereza não foram por isso menos influentes para a música do Brasil e do mundo.

O disco Clube da Esquina nº 1 foi onde se condensaram todas essas influências e ânsias de conquistar os ouvidos do mundo, direto de uma esquina qualquer de Belo Horizonte, entre peladas na rua e goles de pinga. Milton NascimentoLô Borges e Toninho Horta eram as estrelas principais, sem dúvida, mas a presença dos demais músicos na gravação do disco foi imprescindível para dar vigor ao movimento.

Antes da música, a amizade

Essa foi a primeira geração de músicos a ficar em Belo Horizonte, que não precisou ir para Rio e São Paulo para ter uma carreira. Daqui só saíam para gravar e shows. Mas as raízes, bem fincadas no chão mineiro, eram refletidas nas letras e na maneira de compor: o “modus vivendi” local – o sobe e desce de morros, sempre de buteco em buteco –, as paisagens montanhosas, o ritmo bucólico e o silêncio de uma cidade grande com ares de interior.

A tal esquina é o cruzamento das ruas Divinópolis e Paraisópolis, no Santa Tereza. Embora a história tenha começado mesmo no encontro entre os Borges, Milton e Wagner Tiso nas escadas da pensão do Edifício Levy, no centro da cidade, foi principalmente durante a vida no Santa Tereza que as coisas aconteceram.

“A timidez e a aversão aos holofotes da mídia jogaram a atenção para aquilo que sempre importou: a música. Como não havia essa coisa da profissionalização, de planejar fazer sucesso, as coisas foram sendo feitas pelo amor à música, pelo prazer de tocar junto e com os amigos”, conta Tavinho Moura.

O nome “clube” vem também da forma de se trabalhar: todos ajudavam, contribuíam com idéias e a música era o resultado de diversas cabeças, influências musicais pessoais e da amizade entre cada um deles. Á “formação” inicial que tinha Milton Nascimento, Wagner Tiso, Fernando Brant, Márcio Borges, Nivaldo Ornelas, Toninho Horta e Paulo Braga foram logo sendo agregados mais amigos e parentes. Essa forma aberta e hospitaleira de receber novos integrantes ao movimento foi e ainda é, sem dúvida, muito importante para a sua continuidade.

Os amigos que se conheceram por causa da música durante a adolescência cresceram tendo ao lado o prazer de tocar juntos. Mesmo que cada um levasse a sua carreira solo, os constantes encontros aconteciam pelas estradas e estúdios do mundo. Sempre presente estava o sentimento de tentar mais uma vez reunir todos num palco.

35 anos depois, o reencontro.

Para que houvesse espaço para tantas pessoas que fizeram parte do Clube da Esquina ao longo dos anos era necessário um local grande e ao menos dois dias, com muitas horas de palco. Amigos reunidos, instrumentos em mãos e um clima nostálgico revelado mineiramente nos sorrisos e abraços entre os artistas: as ruas que foram percorridas por cada um deles dobravam-se e ali, naquele local, formavam uma esquina imaginária.

Nos dias 8 e 9 de dezembro, última sexta-feira e sábado, encontraram-se, no Espaço Funarte Casa do Conde, mais de 80 músicos que representam mais de três décadas de história. São gerações com vários anos que as separam, mas que se unem pela identidade “esquineira” em comum.

“Durante muito tempo o Clube da Esquina ficou sem se reunir por causa da agenda. Mineiro tem isso de cada um ficar na sua, de trabalhar sozinho… e era um sonho poder reunir todo mundo assim de novo. A idéia é repetir esse encontro em outras cidades pelo país, para mostrarmos a força do movimento. É uma oportunidade para a geração mais nova conhecer mais o que foi feito”, explica Toninho Horta, o responsável pela organização do evento.

Milton e Lô, que não compareceram por conflitos de agenda, estavam ali representados pelas suas músicas, “abençoando espiritualmente os shows”, como prefere entender o organizador. Se as duas estrelas principais não puderam subir ao palco, outros tantos estavam presentes: Beto Guedes, Flávio Venturini, Luiz Alves, Márcio Borges, Marcos Vianna, Murilo Antunes, Nelson Ângelo, Nivaldo Ornelas, Paulinho Carvalho, Fernando Brant, etc, etc…

Nostalgias à parte, mais do que simplesmente subir e tocar aquelas canções, era preciso, de certa forma, voltar no tempo: um ajuste minucioso para que os instrumentos soassem como há décadas atrás, diversos familiares convidados para o clima informal e portas abertas ao público. A feliz “coincidência” de realizar o evento durante a comemoração do aniversário de Belo Horizonte foi mais um momento de reforçar a amizade e o contato entre os artistas e o público.

 

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